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O medo ou a vergonha e a carência dos serviços de saúde
e das delegacias especializadas no atendimento à mulher em
situação de violência são os principais
fatores que impedem a denúncia, a prevenção
e os tratamentos dos problemas decorrentes da violência.
O pequeno número de denúncias, associado a falta de
instrumentos adequados para registro do problema dificultam o dimensionamento
claro e exato da violência doméstica e sexual no Brasil.
Mas, apesar da precariedade das informações disponíveis,
um fato é certo: a violência contra a mulher afeta
milhares de brasileiras, independente da idade ou do grupo social
a que pertencem e, na maioria dos casos, o fato acontece dentro
de casa e os autores são os próprios companheiros,
parentes ou pessoas conhecidas.
No final da década de 80 o Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE) constatou que 63% das vítimas
de agressões físicas ocorridas no espaço doméstico
eram mulheres. Hoje, novos estudos e levantamentos vêm sendo
feitos por órgãos estaduais e organizações
não-governamentais, contribuindo para dar maior visibilidade
ao problema e aos seus efeitos sobre a saúde.
A violência contra a mulher, acontecendo dentro de casa ou
não, está associada a desigualdade das relações
sociais entre homens e mulheres. Os modelos de masculinidade e feminilidade
adotados para definir o ser homem e ser mulher é apresentado
em posições antagônicas (exemplo: forte-fraca;
bruto-delicada; indiferente-sensível; decidido-indecisa).
A estas posições são atribuídos valores
diferenciados e o maior valor recai sobre os atributos historicamente
associados ao homem e não à mulher. Apesar das mudanças
que podem ser constatadas na direção da igualdade,
verifica-se que as situações de violência contra
a mulher estão assentadas na necessidade de manutenção
do poder ou no reforço desse tipo de masculinidade por parte
dos homens. Para muitos, a mulher deve obediência e submissão
ao companheiro, devendo atender a todos os seus desejos, inclusive
sexuais. Para outros, o pai tem direito de posse sobre as filhas,
justificando, desta forma, o abuso sexual, cometido principalmente
contra as meninas e adolescentes.
Comportamentos violentos acontecem num contexto relacional, onde
os sujeitos envolvidos estão implicados ora como vítimas
ora como sujeito das agressões. As pessoas envolvidas nessas
situações tendem a repeti-las, perpetuando a cadeia
de violência em que estão inseridas.
Atualmente, no Brasil, estão em curso algumas experiências
de trabalho com homens autores de violência contra a mulher.
Eles são encaminhados para atendimento com terapeutas de
família, onde passam por um processo de reflexão sobre
a sua condição masculina, seus comportamentos, emoções
e histórias de vida. É feito um trabalho de conscientização
sobre os prejuízos que a violência traz para todos
os membros da família, inclusive para o autor da violência.
Os resultados do trabalho são avaliados pela família
e, até o momento, entre os homens que passaram por esse acompanhamento,
muito poucos voltaram a agredir suas companheiras.
Como a mulher violentada deve ser tratada
Respeito e solidariedade. São essas atitudes que as mulheres
esperam encontrar quando chegam a um serviço de saúde
ou a uma delegacia para denunciar a agressão ou receber cuidados.
Mas, infelizmente, ainda não são todos os serviços
que contam com equipes preparadas para atender com a dignidade que
a mulher merece.
Toda mulher tem direito às informações necessárias
para tomar a melhor decisão nas diferentes situações,
ou frente aos diversos problemas oriundos da violência doméstica
e sexual.
Conhecer a rede de serviços disponíveis, os procedimentos
a serem realizados em cada local, os recursos garantidos em lei,
como a interrupção da gravidez pós-estupro,
orientação e realização de exames e
a prevenção das doenças sexualmente transmissíveis,
anticoncepção de emergência; entre outros.
Os serviços especializados no atendimento integral a mulheres
vítima de violência sexual, começaram a ser
implantados em 1989. O primeiro serviço de referência
divulgado nacionalmente foi o Hospital Jabaquara.
Fruto de um trabalho de sensibilização e capacitação
para implantação dos serviços de referência
vem sendo realizado, de maneira articulada, por diferentes atores
sociais: grupos de mulheres, profissionais de saúde, operadores
do direito, pesquisadores, gestores do setor saúde e organizações
não-governamentais.
A partir de 1998, o Ministério da Saúde passou a priorizar
ações nesta área, principalmente em relação
a normatização das atividades desenvolvidas pelos
profissionais de saúde e apoio a projetos estaduais e municipais
para ampliação da rede de atendimento.
Conta-se atualmente com serviços especializados, sendo que
a maioria situa-se no Sudeste do país.
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