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Muitas
vezes, quase sempre por vergonha, falta de acesso aos seviços,
preconceito ou medo de realizarem os exames ginecológicos
de rotina, as mulheres colocam a saúde e a vida em risco.
O caso do câncer de colo do útero, por exemplo, é
responsável pela morte de milhares de mulheres em todo o
mundo, devendo ser devidamente prevenido e controlado.
O útero da mulher é composto por colo, corpo e fundo.
Inicialmente, o tumor limita-se à região do colo.
Sua evolução ocorre vagarosamente, motivo pelo qual,
se atendida a tempo, é curável na quase totalidade
dos casos. Entretanto, se não tratado em tempo hábil,
pode estender-se para todo o útero e outros órgãos.
Atinge predominantemente mulheres na faixa de 35 a 50 anos; porém,
há muitos relatos de casos em pacientes com cerca de 20 anos.
Naquelas com mais de 50 anos, é absolutamente necessária
a realização regular dos exames. Quando de sua instalação,
o câncer de colo do útero tem a seguinte evolução:
- displasia, lesão inicial onde as células do colo
sofrem alterações mínimas;
- decorridos cerca de 3 anos do surgimento da displasia, instala-se
uma forma localizada de câncer chamada carcinoma in situ;
- após 6 anos, o tumor invade a mucosa do útero e
torna-se um carcinoma microinvasor;
- 14 anos após o aparecimento da displasia, o câncer
assume sua forma mais terrível espalhando-se, mediante a
ocorrência de metástase, para outras regiões
do corpo.
Atenção! O exame preventivo é a única
maneira de identificar o câncer de colo de útero em
seu início, quando pode ser tratado sem maiores problemas.
As taxas de incidência de câncer de colo do útero
são geralmente altas na América Latina. No Brasil,
existe uma grande variação nas taxas de incidência,
sendo as maiores nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Dos cinco Registros de Câncer de Base Populacional (RCBP)
em funcionamento no país, o câncer de colo do útero
foi o tumor mais incidente em Belém e Goiânia, ficando
em segundo lugar em Fortaleza, Campinas e Porto Alegre.
No sistema atual, mais de 70% das pacientes diagnosticadas com câncer
de colo do útero apresentam a doença em estágio
avançado já na primeira consulta, o que limita, em
muito, a possibilidade de cura. De todas as mortes por câncer
em mulheres brasileiras da faixa etária entre 35 e 49 anos,
15% morrem devido ao câncer de colo do útero.
Embora o Brasil tenha sido um dos primeiros países no mundo
a introduzir a citologia de Papanicolaou para a detecção
precoce do câncer de colo uterino, esta doença continua
a ser um sério problema de saúde pública.
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